A PESSOA QUE FALTA
Se possível, escreve as tuas respostas à mão.
E percebe o que o teu corpo sente a cada momento.
Versão em Texto
Se estás aqui é porque esta pergunta simples, se calhar te tocou de alguma forma, é possível que te tenhas reconhecido nela. Reparei nisto diversas vezes várias mulheres que têm acompanhado. Mulheres que têm tudo a funcionar na vida, mas que quando param para olhar para tudo o que fazem, semana após semana, percebem que poucas ou nenhuma dessas coisas é realmente sua... A natação da filha, o futebol do filho, os lanches da escola, o jantar da empresa do marido. Numa lista infinita de coisas por fazer que nunca acabam, raramente algo é exclusivamente delas. E é isso que eu chamo “A pessoa que Falta”. É esse sentimento, é essa sensação. A pessoa que falta na tua agenda. Tu própria. E é exatamente onde deste exercício te vai levar a olhar.
O espaço que devia ser teu, mas que quase nunca existe. Não vejas essa falta como uma falha, mas como sinal que te trouxe até aqui. Este exercício é muito mais do que escrita. É uma pesquisa interna, à qual eu te peço que respondas com a tua maior honestidade. Este é espaço privado e que será só teu. Se não quiseres, ninguém vai ver, ninguém vai ler, nem mesmo eu.
Se quiseres partilhar comigo as tuas respostas ou o que sentiste, eu terei muito gosto ouvir-te. Mas neste momento, este espaço é só teu. Permite-te ser absolutamente verdadeira nele.
Agora, eu vou colocar-te 4 perguntas. E como eu disse, vou pedir-te que respondas com a maior necessidade. Se quiseres, entre cada uma das perguntas podes parar o áudio para responder e depois continuar.
Estás pronta?
A primeira pergunta que tenho para te colocar é a seguinte: onde é tens sentido mais falta de ti própria na tua vida? E o que é que essa tua ausência representa para ti? O que é te faz sentir? Eu não preciso que analises, é apenas que reconheças.
Pode ser o teu corpo, que não consegues cuidar como gostarias. Pode ser projeto ou uma ideia de negócio que gostavas muito de tentar concretizar e que guardaste na gaveta para quando houver tempo. Podem ser as amizades da infância, da faculdade ou mesmo do teu trabalho atual que foste deixando esfriar... A carreira que adiaste ou simplesmente o silêncio, o tempo sem seres precisa por ninguém. Aquela calma onde tu consegues estar sozinha.
Onde é que tu, a mulher que também tem sonhos, desejos e ambições próprias, tens estado ausente.
A segunda questão é esta: olhando para trás, onde é que identificas que começaste a ceder o teu próprio lugar? E quem ou o que passou a ocupá-lo quase por inteiro? Pode ter sido quando o teu trabalho, uma promoção ou um novo cargo teu ou do teu marido passou a exigir mais de ti? Pode ter sido quando te tornaste-te mãe ou quando começaste a cuidar dos teus pais ou dos teus sogros?
Ou então algo mais subtil, que de forma mais lenta se foi instalando, sem ser evento único. Pequenos pedaços de vida que vamos assumindo como se fossem obrigatórios, como se não pudéssemos recusar ou dizer que não. Até ao dia que percebeste que não sobrava mais espaço nenhum para ti e que a vida se tornou uma roda infinita de coisas para fazer.
Às vezes a vida acontece de uma forma que nos vai fazendo desaparecer aos poucos da nossa própria agenda para conseguirmos chegar a todo lado. É mesmo assim, a culpa não é tua, a culpa não é minha. E este exercício, precisamente para isso, para voltarmos pouco atrás, provavelmente uns anos e reconhecermos onde é que começamos a deixarmos a nós mesmas segundo plano, no lado de fora da nossa própria história.
A terceira pergunta que eu te vou colocar é: se voltasses a ter esse lugar, só teu, na tua própria agenda o que é que sentes que mudaria na forma como tu vives hoje? Talvez começasses a dormir melhor, por finalmente parar de gerir a vida de toda a gente na tua cabeça antes de adormecer? Talvez sentisses mais energia para o teu próprio trabalho? Ou coragem para avançar com aquela ideia que sempre quiseste e que tens estado a dia talvez há demasiado tempo?
Talvez simplesmente reconhecesse outra vez ao espelho, sem aquele cansaço permanente nos olhos, no teu corpo, na tua energia, nas tuas escolhas, o que é mudaria? Como é que passarias a cuidar de ti?
Antes de avançarmos para a última pergunta, eu vou-te pedir que repares no que acabou de acontecer nestas três perguntas. Foste do sítio onde tens estado ausente, reconheceste quando começaste a ceder o teu próprio lugar e tiveste uma visão clara do que mudará se o recuperares. A este momento, eu gosto de chamar o “Reencontro”.
Que é quando te centras novamente em ti própria, não de forma egoísta, mas como alguém que sabe que também é importante. E não é preciso mais do que isso, só este reconhecimento simples e honesto que tantas vezes fica por fazer, porque raramente há espaço ou tempo para parar assim, desta forma.
E agora a última pergunta, e é a parte que pode começar a transformar esse reconhecimento em movimento. Agora que percebeste que a tua agenda tem sido tão pouca tua, eu fecho este exercício com a seguinte questão: estás disposta a recuperar esse lugar a sério, não como gesto isolado que se perde no tempo e na correria do dia a dia, mas como um processo que te acompanha intencional, que está contigo, com uma estrutura, fio contador, como fizemos nestes poucos minutos, num processo que te acompanha ao longo de 21 dias, com a minha presença, com a minha companhia.
Porque é exatamente para isso que eu criei o Notes do Self. São 21 dias que atravessam 5 Fases sequência. Reconhecer, Recordar, Compreender, Escolher e finalmente Reclamar.
E aqui o Reclamar não é como quem reclama para fora, é reclamares esse tempo, essa tua existência para ti também. É processo intencional para recuperares o lugar da tua própria vida.
O teu tempo, a tua energia, os teus projetos, as tuas amizades...
E é com humildade, mas também com orgulho, que eu tenho visto este processo mudar a vida de várias mulheres que têm passado por ele. Porque é precisamente este caminho de volta a nós mesmas, a ti mesma, que é preciso ser feito. E repara que não é mais uma lista de tarefas para tu fazeres. É exatamente o oposto.
É o tempo que finalmente dedicas a ti de forma exclusiva.
Todos os dias vais receber áudio com a minha voz, assim como neste exercício. Também vais receber texto e podes escolher a melhor forma que se encaixe melhor na tua vida, na tua rotina. Se sentiste que esta é a tua vez, encontras tudo o que precisas saber para iniciar o teu caminho no bloco no final desta página.
Quando terminares, lê o que escreves-te como quem lê algo importante. Porque é!
E repara que se foste capaz de reconhecer... também és capaz de mudar e de te dar esse lugar de volta.
Este exercício não resolveu tudo, mas abriu uma porta muito importante: a porta da escuta interna, e é exatamente a esse lugar que eu te quero levar no Notes to Self.
Encontre-te deste lado.
Com amor,
Tânia
NOTES TO SELF
Durante 21 dias vais olhar com honestidade para o que tens sentido e para o que foste deixando para trás sem dar por isso.
Não é sobre mudar quem és. É sobre voltares a ocupar o teu lugar.